Monday, December 22, 2008

Palavras


A Ana, porque ha palavras que foram feitas para nunca serem ditas...
"Foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu o principezinho com delicadeza. Mas ao voltar-se não viu ninguém.
- Estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu?, disse o principezinho. Es bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Anda brincar comigo, propôs-lhe o principezinho. Estou tão triste...
- Não posso brincar contigo, disse a raposa. Ainda ninguém me cativou.
- Ah! perdão, disse o principezinho.
Mas depois de ter reflectido, acrescentou:
- Que significa 'cativar'?
- Tu não deves ser daqui, observou a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens. Que significa 'cativar'?
- Os homens têm espingardas e caçam. E uma maçada! Também criam galinhas. E o unico interesse que lhes acho. Andas a procura de galinhas?
- Não, disse o principezinho. Ando à procura de amigos. Que significa 'cativar'?
- E uma coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. Significa 'criar laços...'
- Criar laços?
- Isso mesmo, disse a raposa. Para mim, não passas, por enquanto, de um rapazinho igual a cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu não precisas de mim. Para ti não passo de uma raposa igual a cem mil pessoas. Mas se me cativares, precisaremos um do outro. Seras para mim unico no mundo. Serei unica no mundo para ti...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... creio que ela me cativou.
- E possivel, disse a raposa. Vê-se de tudo à superficie da terra...
- Oh! não é na terra, esclareceu o principezinho.
A raposa ficou muito intrigada.
- Noutro planeta?
- Sim.
- Ha caçadores nesse tal planeta?
- Não.
- Isso tem muito interesse. E galinhas?
- Não.
- A perfeição não existe, suspirou a raposa.
Mas voltou à mesma ideia:
- Levo uma vida monotona. Eu caço galinhas e os homens caçam-me a mim. Todas as galinhas são iguais. Por isso me aborreço um pouco. Mas, se tu me cativares, sera cmo se o Sol iluminasse a minha vida. Distinquirei, de todos os passos, um novo ruido de passos. Os outros passos fazem-me esconder, debaixo da terra. Os teus hão-de atrair-me para fora da toca, como uma musica. E depois, olha! Vês la adiante os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inutil. Os campos de trigo não me dizem nada. E é triste. Mas os teus cabelos são cor de oiro. Como o trigo é doirado, fara lembrar-me de ti. E hei-de amar o barulho do vento através do trigo...
A raposa calou-se e olhou por muito tempo para o pincipezinho.
- Cativa-me, por favor, pediu ela.
- Tenho muito gosto, respondeu o principezinho, mas falta-me tempo. Preciso de redescobrir amigos e conhecer muitas coisas.
- So se conhecem as coisas que se cativam. Os homens ja não têm tempo para tomar conhecimento de nada. Compram coisas feitas aos mercadores. Mas como não existem mercadores de amigos, os homens não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me.
- Como é que hei-de fazer?, disse o principezinho.
- Tens de ter muita paciencia. Primeiro, sentas-te um pouco afastado de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo rabinho do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, de dia para dia, podes sentar-te cada vez mais perto...
No dia seguinte, o principezinho voltou.
- Era melhor teres vindo à mesma hora, disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, às três ja eu começo a ser feliz. A medida que o tempo avançar, mais feliz me sentirei. As quatro horas ja começarei a agitar-me e a inquietar-me; descobrirei o preço da felicidade. Mas se vieres a uma hora qualquer, nunca posso saber a que horas hei-de vestir o meu coração... São precisos ritos.
- O que é um rito?
- E também qualquer coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. E o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias, uma hora diferente das outras horas. Ha um rito, por exemplo, entre os meus caçadores. Dançam às quintas-feiras com as raparigas da aldeia. A quinta-feira é, por isso, um dia maravilhoso! Vou passear até à vinha. Se os dançassem num dia qualquer, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias.
Foi assim que o principezinho cativou a raposa. E quando se aproximou a hora da partida:
- Ah!, disse a raposa... Vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, não queria que te acontecesse mal, mas quiseste que te cativasse...
- E certo, disse a raposa.
- Mas vais chorar!, disse o principezinho.
- E certo, disse a raposa.
- Então não ganhas nada com isso!
- Ganho, sim, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois acrescentou:
- Vai ver outra vez as rosas. Compreenderas que a tua é unica no mundo. Quando voltares para me dizer adeus, faço-te presente de um segredo.
O principezinho foi ver outra vez as rosas.
- Vois não sois nada parecidas com a minha rosa; ainda não sois nada, disse-lhes ele. Ninguém vos cativou, nem vos cativastes ninguém. Sois como era a minha raposa. Não passava de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas fiz dela minha amiga e agora é unica no mundo.
E as rosas ficaram bastante aborrecidas.
- Vos sois belas, mas vazias, disse-lhes mais. Ninguém vai morrer por vos. E certo que, quanto à minha rosa, qualquer vulgar transeunte julgara que ela se vos assemelha. Mas, sozinha, ela vale mais do que vos todas juntas, porque foi ela que eu reguei. Porque foi ela que eu pus numa redoma. Porque foi ela que abriguei com um biombo. Porque foi por causa dela que matei as lagartas (excepto duas ou três para as borboletas). Porque foi ela e so ela que ouvi lamentar-se ou gabar-se, ou mesmo, por vezes, calar-se. Porque é a minha rosa.
E voltando para junto da raposa:
- Adeus, disse-lhe.
- Adeus, respondeu a raposa. Vou dizer-te o meu segredo. E muito simples: so se ve bem com o coração. O essencial é invisivel aos olhos.
- O essencial é invisivel aos olhos, repetiu o principezinho, a fim de se recordar.
- Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se recordar.
- Os homens esqueceram esta verdade. Mas tu não deves esquecê-la. Ficas para sempre responsavel por aquele que cativaste. Es responsavel pela tua rosa.
- Sou responsavel pela minha rosa, repetiu o principezinho, a fim de se recordar."

Thursday, December 18, 2008

Hoje

Hoje não ha imagem, nem fotografia
Hoje não ha remorso, nem memoria vazia
Hoje não ha solidão, nem apatia
Hoje não ha saudade, nem nostalgia
Hoje ha vida e ha amizade
Hoje ha sensaçoes novas e de verdade
Hoje ha eu e numa outra realidade
Num estado de alegria e genuinidade
Oh, numa vida so, quantas outras
Quantos ciclos de enfermidade e efemeridade
Quão infinito estado de alegria!
Oh, num sonho grande, quantos projetos
Quantos amores e desamores podia
Quã finita é a nossa oportunidade!

Wednesday, December 10, 2008

Um novo ciclo se abre...


com uma vontade de fazer girar o Mundo!

Tuesday, December 09, 2008

My love is for free


do you want a piece?
*lol*

Amor puro


Um Elogio atrasado no timing, mas sempre a tempo na vida!

A Mafalda, que como eu também ainda acredita no 'amor puro'
(e a todos aqueles que secretamente acreditam nele também ;))

Ha coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer,mas não sei como dizê-la. Muito do que se segue pode ser por isso incompreensivel. A culpa é minha.O que for incompreensivel não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu proprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que eu quero fazer é um elogio do amor puro.
Parece que ja ninguém se apaixona de verdade. Ja ninguém aceita amar sem uma razão. Teixeira de Pascoaes meteu-se num navio para ir atras de uma rapariga inglesa com quem nunca tinha falado. Estava apaixonado e foi para Liverpool. Quando finalmente conseguiu falar com ela, arrependeu-se.
Quem é que hoje é capaz de se apaixonar assim? Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão pratica. Porque da jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Porque se dão bem ou não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas, das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à minima merdinha entram logo em 'dialogo'. O amor passou a ser passivel de ser combinado. Os amantes tornam-se socios. Reunem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-socio-bio-ecologica da camaradagem. A paixão que devia ser desmedida é na medida do possivel. O amor tornou-se uma questão pratica. O resultado é que aspessoas em vez de se apaixonarem de verdade, ficam 'praticamente' apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estupido, do amor doente, do unico amor verdadeiro que ha, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas e cantina, malta do 'ta bem, tudo bem', tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, babanoides, borrabotas, matadores do romance, romanticidas. Ja ninguém se apaixona? Ja ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim da tristeza, o desequilibrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alivio, o repouso, o intervalo, a pancadinhas nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "da la um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Por onde quer que se olheja não se vê romance, gritaria, maluqice, facdo, abraços e flores. O amor fechou a loja. Foi trespassado ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. E essa a beleza. E esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. E uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo de ainda apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa a vida é outra. As vezes a vida mata o amor. A "vidinha" é umaconvivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um principio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para se perceber. O amor é o estado de quem sente. O amor é a nossa alma. E a nossa alma a desatar. A desatar a correr atras do que não se sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. E por isso que a ilusão é necessaria. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente, e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, muito dificil, por muito desesperante. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia, e durante a vida, quando não esta la quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. E sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa e o amor é outra. A vida dura uma vida inteira, o amor não. So um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso, 'Elogio ao amor'
*amem!*

do (meu) bau

ain't it funny how we pretend we're still a child
softly stolen under our blanket skies
and rescue me from me and all that i believe
i won't deny the pain
i won't deny the change
but should a fall from grace here with you
will you leave me too?
carve out your heart for keeps in an old oak tree
and hold me for goodbyes-and -whispered lullabyes
and tell me i am still
the man i'm supposed to be
i won't deny the pain
i won't deny the change
but should i fall from grace here with you
will you leave me too?
too late to turn back now, i'm running out of sound
and i am changing, changing
and if we died right now this fool you love somehow
is here with you
i won't deny the pain
i won't deny the change
but should i fall from grace here with you
will you leave me too?
...
(Galapagos, by Smashing Pumpkins in
'The Mellon Collie and the Infinite Sadness')

Sunday, December 07, 2008

never stop believing


*thank you, friends*

worldish





randomly we're all from the same world

The potential of a kiss - Mwaaaaah *


'O beijo é uma cultura pois através dele conhecemos varias linguas'
'En un beso, sabras todo lo que he callado'
'A kiss is a lovely trick designed by nature to stop speech when words become superfluous'
'Un baiser legal ne vaut jamais un baiser volé'
'I never thought love could feel like this, then tou changed my world with just one kiss'
*um beijo*

Thursday, December 04, 2008

Make my wish come true


All I want for Xmas is YOU!!!

A useless life is an early death

And now the end is near
and so I face the final curtain
My friend I'll say it clear
I'll state my case of which I'm certain
I've lived a life that's full
I've travelled and every highway
And more much more than this
I did it my way.
Regrets I've had a few
but then again to few to mention
I did what I had to do
And saw it through without exemption
I planned each charted course
Each careful step along the byway
And more much more than this
I did it my way.
Yes, there were times I'm sure you knew
When i bit off more than I could chew
But through it all when there was doubt
I ate it up and spit it out
I faced it all and I stood tall
And did it my way.
I've loved, I've laughed and cried
I've had my feel, my share of losing
And now as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say not in a shy way
No, oh no not me
I did it my way.
For what is a man, what has he got?
If not himself than he has not
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
The record shows I took the blows
And did it my way!



Wednesday, December 03, 2008